Pesquisa do Ipea na América Latina revela que não se trata de acomodação dos jovens, mas sim falta de oportunidades. Estudo mostra também o avanço da informalidade sobre parcela empregada dos jovens

Os chamados "nem-nem", jovens que não estão trabalhando nem estudando, já somam, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), aproximadamente 20 milhões na América Latina e, no Brasil, 23%, a terceira taxa mais alta entre os nove países analisados no estudo. Divulgada nessa segunda-feira (3), a pesquisa revela que não se trata de acomodação, mas sim falta de oportunidades.

"Muda esse estereótipo que a sociedade acreditava que os jovens 'nem-nem' são aqueles ociosos, improdutivos. Na verdade, o que a pesquisa mostra é que eles estão nessa situação, que é momentânea, e há muita mudança dentro dela. Eles são jovens produtivos em busca de oportunidades", afirma a diretora de Estudos e Políticas Sociais do Ipea e uma das autoras da pesquisa, Enid Rocha, à repórter Ana Rosa Carrara, da Rádio Brasil Atual, defendendo a substituição do termo "nem-nem" por "sem-sem".

Intitulado "Millennials na América e no Caribe: trabalhar ou estudar?", o estudo procurou apresentar uma radiografia da juventude latina, levando em conta dados de mais de 15 mil jovens do Brasil, Chile, Colômbia, El Salvador, Haiti, México, Paraguai, Peru e Uruguai, e revelou ainda um avanço da informalidade sobre a parcela de jovens empregados, cerca de 70% no segmento.

A situação também é incômoda entre aqueles que atuam no mercado formal e precisam enfrentar a alta rotatividade. Para dar conta dessas questões, a diretora defende o investimento em políticas públicas de estímulo ao primeiro emprego e a capacitação dos jovens para aproveitar esse momento de bônus demográfico da população mais jovem.